terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Seis


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Seis séculos,
Seis décadas, 
Seis anos, o que são?  

Não sei e talvez ninguém há de saber
O que apenas sei é que eles encerram
As frações de tempo e toda a cultura
Tatuando consciência, fazendo história
Represando os momentos na memória

Os seis anos...Sinceramente?
Não sei e nem há como prever
Portanto teus, só tu para saber

E ao fim talvez nem saibas
Pois o pouco que deles sei 
Sei que vidas serão vividas
Sei de tudo, é pouco, aliás
E do pouco é que sei mais

Seis que amores verterão à luz do dia
Sei dos inesperados sabores amargos
Que secarão junto às folhas de outono

Sei dos atalhos no asfalto da mentira
Sim, essencialmente sei dos humanos
Das suas poucas verdades e da farsa
Sei do sorriso desvendado na alegria
E das mágoas que profanam o peito

Evidente, serei muito mais que óbvio
Pois insistindo humano sei algo mais
Sei do traço, daquilo que é  obscuro

Sei da pele, boca, sei dos beijos
Sei o ponto que abrasa o desejo
Portanto sei das paixões, as taras 
Dos momentos tórridos, instantes
Onde corpos se decretam prazer

Por fim minha amiga, sei que te pareço genérico ao persistir afirmando
que nada sei, e o pouco que do pouco sei não te sacie, pois o comum
despondera e não cala nesta boca que se embriaga nas ruas de Roma.
Entretanto aquilo que  pouco sei vou te dizer, talvez segredo ou legado:

Tudo haverá de se elucidar
Na crua frieza dos segundos
E na calidez do beijo da morte:

Seis horas 
Seis minutos
Seis segundos
Apenas serão seis
Para quê saber mais?


Copirraiti18Dez2012
Véio China©

**Para uma amiga de comunidade.




sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Rota


Ah, poesia!
Poesia que devia
Poesia que supus
Poesia que não deixou a mente

Ah, coração!
Coração que pulsou
Coração que verteu
Coração que procurou versos

Ah, emoção!
Emoção que senti
Emoção que sorriu
Emoção que calou e percebeu

Que bem ao meu lado
Numa linha escondida
A mais simples poesia
Verso que tanto queria

A poesia, meu anjo...
A poesia faremos nós numa sinuosa estrada
Onde ainda não vemos marcas no horizonte
Mas apenas pegadas do meu amor por você


Copirraiti14De2012
Eduardo Pavani ©



quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Fera!


Ah! Se estivesses aqui
Te levaria para as ilhas,
E relaxaria à noite
Ao o som das ondas
Enquanto o vento
Acariciaria nossos corpos
Desnudos e em flamas
Sob singela timidez do luar

Porém não sou só mar,
Sou entranhas, sou fúria
A fera que te espreita
Nas minhas tantas imagens
E em muitas das paisagens,
A que te introduzo
Sim, não  precisas dizer
É sonho e não estás aqui

Portanto não há o cheiro da caça
Para saciar minha fome, pena!
Pois não sabes das fantasias
Que trajo as minhas vontades
Inebriadas e perdidas de ternuras
Desassossegadas em meus desejos
Pelos lassos sabores desta boca
Tua, e que meu corpo incendeia

Argumentos: Claudia Valéria
Participação: Véio China

*Mais um de Clódinha!
Esse..este sim, tórrido como um dia inclemente
do mais insano verão.

hehehe

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Além-Mar



Felina sim! Mas na ternura sou a mulher que arderá no ninho dos amores proibidos, um lugar que somente eu sei da rota e onde se vive intensamente. Compreendas, posso levar-te a esses lugares inimagináveis e em tantas outras extraordinárias viagens. Decidas agora se me queres menina mulher ou a onça que madura esturra no fogo das minhas entranhas

Ah amor! A saudade me era tanta
Que em plena tarde deitei à alcova
E pensei na maciez dos teus braços
E nos lábios sussurrando bobagens
Em meus ouvidos ávidos por elas

...Porém o meu corpo insatisfeito queimava e então me levantei e segui para a varanda onde sentada flertei com as estrelas que pairavam sobre a serenidade do oceano.  A tocante nostalgia estava ali no cheiro do mar e na melodia dos ventos quando inexplicavelmente lágrimas desceram de mim e banharam-me as faces - Algo persistia faltando e logo percebi que eras tu – E te quis ali ao meu lado e naquele instante. E te quis com as mãos nas minhas ao caminharmos pela praia sentindo nas solas dos pés as areia ainda quentes de uma tarde de verão. Sim, e esse mesmo dia se definharia em devaneios e cederia à cumplicidade duma lua cheia que contornar a minha silhueta na moldura da paixão.
E tudo insistiria e a saudade e meus pensamentos viajariam até um delicado momento onde suspiraria, pois na verdade não estavas ali. E melancólicos os meus olhos se voltariam para o mar e veriam o luar refletido nas águas num mesmo tempo em que acanhadas vagas se quebravam na praia. E a tristeza cederia lugar ao encanto e eu namoraria o chegar daquelas pequenas ondas que, depois retornariam tranquilas para o mar. E o instante e o cheiro e o vento me fariam consciente do simbolismo de tão magnífica paisagem, e então compreenderia que ao chegarem me trouxeram esperanças e retornando carregaram junto delas as minhas tristezas para um além-mar...

Subitamente fui arrancada deste devaneio e sorri ao pressentir que virias e te tornarias um porto seguro. E vou esperar por esse dia com a mesma ânsia da onça e aguardar o instante que, atracando recolheras as embarcações repletas de mim.
Ah meu amor, venhas logo e não demores tanto! Venhas e carrega-me em teus braços e faças de mim um dos motivos da tua loucura.

Argumentos: Claudia Valeria
Colaboração: Véio China

*Eu e a minha querida amiga e ótima poetisa Cláudia (sim, ela vai dizer que não!)  nos conhecemos numa comunidade chamada Bar do Escritor (Orkut) Sei que conversando recentemente Cláudia me desafiou a elaborar um texto com algumas linhas mestras dos seus pensamentos. Bem, tentei e gostei de brincar com elas. Porém a dúvida... talvez com as minhas mexidas tenham perdido a leveza da mulher.
Mas também Claudia...tu há de me dar o crédito: Jamais fui mulher! hehehe

sábado, 1 de dezembro de 2012

A espera


Queres uma poesia
Mas ainda não sei volvê-la
Meus sentimentos voam
Planam e são águias incertas

Que pousam em teu olhar
Cura para as tantas dores

Suspiras por uma poesia
Que ainda não sei contrair
Poesia talvez seja um parto
Doloroso, difícil, prematuro

Onde a aflição dos que amam
Rezam o aguardo da sobrevida

Desejas tanto uma poesia?
Sim, desejas, mas não a fiz
Apenas fito os teus olhos
E contorno as imaginárias

Linhas dos teus lábios
Ao ouvir-te calma voz

Questionas se esqueço a poesia?
Não questiones baby! Eu a farei
Poesia me é assim como o amor
É igual ao ódio, esperança e dor

Poesia é a mera questão do tempo
Onde toda a existência se acomoda

Copirraiti01Dez2012
Veio China©